Ajoelhar-se para orar é uma prática profundamente bíblica. Ao longo das Escrituras encontramos homens e mulheres de Deus dobrando os joelhos diante do Senhor como expressão de reverência, humildade e dependência. O problema nunca esteve nessa prática. O problema surge quando transformamos uma atitude piedosa em uma regra que Deus jamais estabeleceu.
Muitas pessoas afirmam que Deus somente ouve quem ora de joelhos ou que essa seria a única maneira correta de se apresentar diante dEle. Mas será que essa ideia realmente encontra apoio nas Escrituras?
A pergunta, portanto, não é se podemos orar de joelhos. A pergunta é outra:
Deus aceita apenas a oração feita de joelhos?
A resposta não será encontrada em tradições religiosas nem em opiniões pessoais, mas na própria Palavra de Deus. É ela quem responderá essa pergunta.
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Se isso fosse verdade, algumas consequências inevitáveis surgiriam:
• Milhares de orações registradas na Bíblia jamais poderiam ter sido aceitas.
• Pessoas enfermas, idosas, acamadas ou com alguma limitação física estariam impedidas de orar corretamente.
• O mandamento de orar continuamente seria impossível de cumprir.
• Além disso, a posição do corpo passaria a ser mais importante do que a condição do coração.
Entretanto, a Bíblia conduz nossa atenção em outra direção:
Desde o início das Escrituras, Deus revela que Sua preocupação principal não está na aparência exterior, mas na realidade interior do homem. Enquanto os seres humanos observam aquilo que está diante dos olhos, o Senhor contempla aquilo que somente Ele pode conhecer plenamente.
"O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração."
(1 Samuel 16:7)
Essa verdade é repetida por toda a Escritura:
• Isaías declara que Deus habita com os contritos de espírito.
• Jeremias afirma que o Senhor esquadrinha o coração e prova os pensamentos.
• Davi reconhece que o verdadeiro sacrifício agradável a Deus não consiste em cerimônias exteriores, mas em um coração quebrantado.
"Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos."
(Isaías 57:15)
"Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações."
(Jeremias 17:10)
"Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus."
(Salmos 51:17)
Perceba a direção das Escrituras:
Deus nunca afirma que procura determinada postura corporal. Repetidas vezes Ele declara que olha para o coração.
Isso não significa que o corpo seja irrelevante. Ajoelhar-se continua sendo uma bela demonstração de reverência. Entretanto, o corpo jamais substitui um coração quebrantado diante de Deus. A verdadeira adoração nasce no interior e depois se manifesta exteriormente.
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Curiosamente, não.
Em nenhum lugar das Escrituras encontramos um mandamento determinando que toda oração deva ser feita de joelhos.
O que a Bíblia ordena é algo muito maior: Ela chama o cristão a viver em constante comunhão com Deus por meio da oração.
A vida de oração não é apresentada como um ato restrito a determinados momentos ou posições, mas como uma expressão contínua de dependência do Senhor.
"Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito..."
(Efésios 6:18)
"Orai sem cessar."
(1 Tessalonicenses 5:17)
"Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças."
(Filipenses 4:6)
Esses textos praticamente respondem à pergunta. Se Deus ordena que oremos em todo tempo, sem cessar e em todas as circunstâncias, é evidente que Ele não exige que permaneçamos constantemente de joelhos.
O cristão trabalha, estuda, dirige, caminha, cuida da família, enfrenta enfermidades e serve ao Senhor nas mais diversas circunstâncias da vida. Em todas elas continua sendo chamado a depender de Deus e a levar diante dEle suas petições. Portanto, a oração não é apenas um momento específico do dia; é um estilo de vida marcado pela comunhão contínua com o Senhor.
Isso, porém, não diminui a importância de ajoelhar-se. Sempre que tivermos oportunidade, dobrar os joelhos diante de Deus é uma atitude profundamente bíblica que expressa humildade, reverência e submissão. O erro nunca esteve em ajoelhar-se. O erro está em transformar uma prática piedosa em um mandamento que Deus nunca estabeleceu.
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Depois de perceber que a Bíblia não ordena que toda oração seja feita de joelhos, algumas pessoas recorrem a outro texto para defender essa ideia:
"Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai."
(Filipenses 2:10-11)
À primeira vista, alguém pode imaginar que Paulo esteja estabelecendo uma regra universal sobre a postura correta para a oração. Entretanto, basta observar o contexto para perceber que esse não é o assunto da passagem. Nos versículos anteriores, o apóstolo descreve a humilhação voluntária de Cristo, Sua perfeita obediência ao Pai e Sua morte na cruz. Em seguida, mostra Sua exaltação e o reconhecimento universal do Seu senhorio.
"Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome."
(Filipenses 2:9)
O foco da passagem não é ensinar como devemos orar, mas proclamar que Jesus Cristo é o Senhor soberano sobre toda a criação. Essa linguagem não foi criada por Paulo. Ela vem diretamente da profecia de Isaías, onde o próprio Deus anuncia que chegará o dia em que toda criatura reconhecerá Seu domínio absoluto. Ao aplicar essa profecia a Cristo, Paulo afirma Sua plena divindade e Seu senhorio universal:
"Por mim mesmo tenho jurado... diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua."
(Isaías 45:23)
Há ainda outro detalhe que torna impossível interpretar Filipenses 2 como um mandamento sobre a postura corporal durante a oração. Nós estamos diante de Deus o tempo todo.
As Escrituras ensinam que Deus é onipresente e que toda a nossa existência acontece continuamente em Sua presença. Logo, não existe um único momento da vida em que estejamos fora do alcance do Seu olhar.
"Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?"
(Salmos 139:7)
"Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos."
(Atos 17:28)
Não apenas estamos diante de Deus quando oramos. Vivemos permanentemente diante dEle. Toda a nossa existência acontece “coram Deo”, expressão latina que significa "diante da face de Deus".
Se Filipenses 2 estivesse ensinando que devemos permanecer fisicamente de joelhos sempre que estivermos diante de Deus, ninguém jamais poderia levantar-se. Não poderíamos caminhar, trabalhar, estudar, dirigir ou cuidar da família, pois vivemos continuamente na presença do Senhor.
Logo, essa conclusão demonstra que só podemos orar ajoelhados não pode ser a correta intenção do texto. Uma interpretação que produz contradição com o restante das Escrituras revela que o texto foi compreendido de maneira equivocada.
Além disso, o próprio Novo Testamento mostra os servos de Deus vivendo, viajando, ensinando, evangelizando e servindo ao Senhor enquanto eram exortados a "orar sem cessar" (1 Tessalonicenses 5:17). Se o mandamento fosse permanecer fisicamente de joelhos, essa ordem seria simplesmente impossível de obedecer.
Portanto, Filipenses 2 não estabelece uma regra litúrgica sobre a postura da oração. O texto aponta para um acontecimento infinitamente maior:
Chegará o dia em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor.
• Alguns o farão com alegria, como os redimidos que adoram voluntariamente o Salvador.
• Outros o reconhecerão no dia do juízo, quando toda rebelião será definitivamente vencida.
Portanto, o centro desta passagem não é a posição dos joelhos, mas a supremacia de Cristo. Paulo não está ensinando uma postura para a oração; ele está proclamando o senhorio universal de Jesus Cristo.
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Depois de compreender que a Bíblia não estabelece uma única postura obrigatória para a oração, surge uma pergunta natural: como os servos de Deus oravam nas Escrituras?
A resposta é simples e extremamente significativa:
Ao longo de toda a Bíblia encontramos homens e mulheres de Deus orando de maneiras diferentes. Alguns ajoelhavam-se, outros permaneciam em pé, alguns levantavam as mãos aos céus, outros se prostravam com o rosto em terra e houve ocasiões em que a oração aconteceu sem qualquer descrição da postura adotada. Essa diversidade demonstra que Deus nunca condicionou a aceitação da oração a uma única posição física.
"Daniel... três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus."
(Daniel 6:10)
"Pôs-se de joelhos em frente de toda a congregação de Israel e estendeu as mãos para os céus."
(2 Crônicas 6:13)
Daniel tinha o hábito de ajoelhar-se diante de Deus, enquanto Salomão dobrou os joelhos na dedicação do templo e, ao mesmo tempo, estendeu as mãos aos céus. Esses exemplos revelam que ajoelhar-se é uma prática profundamente bíblica, mas em nenhum momento as Escrituras transformam essa atitude em uma exigência para toda oração.
O próprio Senhor Jesus também orou em diferentes circunstâncias e adotou diferentes posturas. No Getsêmani, dobrou os joelhos diante do Pai e prostrou-Se em profunda submissão. Em outras ocasiões, levantou os olhos aos céus para dar graças e interceder ao Pai.
Se o próprio Cristo orou de maneiras diferentes, fica evidente que as Escrituras não estabelecem um único padrão corporal para a oração.
"Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando..."
(Mateus 26:39)
"Posto de joelhos, orava..."
(Lucas 22:41)
"Então, Jesus levantou os olhos ao céu e disse: Pai, graças te dou porque me ouviste."
(João 11:41)
"Levantando Jesus os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora..."
(João 17:1)
A mesma diversidade aparece na vida da igreja:
Paulo afirma que dobrava os joelhos diante do Pai em oração, e Lucas registra ocasiões em que ele e outros cristãos se ajoelharam para buscar ao Senhor.
"Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai."
(Efésios 3:14)
"Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se, orou com todos eles."
(Atos 20:36)
"Ajoelhados na praia, oramos."
(Atos 21:5)
As Escrituras também apresentam pessoas orando em pé. Inclusive, o próprio Senhor Jesus pressupõe essa prática quando ensina:
"Quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai..."
(Marcos 11:25)
Observe que Jesus não corrige a postura daqueles que oravam em pé. Pelo contrário, Ele utiliza essa prática naturalmente em Seu ensino e direciona toda a atenção para aquilo que realmente importa: um coração disposto a perdoar.
Se permanecer em pé fosse uma maneira inadequada de orar, esse seria o momento ideal para corrigi-los. Em vez disso, Cristo mostra que a questão central não é a posição do corpo, mas a condição espiritual daquele que ora.
A parábola do fariseu e do publicano confirma esse mesmo princípio:
Ambos estavam em pé diante de Deus. A diferença não estava na postura física, mas na condição do coração. O fariseu aproximou-se confiando em sua própria justiça; o publicano reconhecia seu pecado e lançava-se inteiramente sobre a misericórdia divina.
"O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo..."
(Lucas 18:11)
"O publicano, estando em pé, longe..."
(Lucas 18:13)
Jesus conclui dizendo que foi o publicano quem voltou para casa justificado.
"Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele..."
(Lucas 18:14)
Se a postura do corpo fosse o fator determinante para que Deus aceitasse uma oração, ambos teriam recebido o mesmo veredito. Mais do que isso, o próprio Senhor Jesus teria destacado essa diferença ao contar a parábola.
Se orar de joelhos fosse a postura exigida por Deus, este seria o momento ideal para estabelecer esse contraste entre o fariseu e o publicano. Entretanto, Cristo não faz qualquer referência à posição do corpo. Toda a Sua atenção está voltada para a condição do coração. A diferença nunca esteve na posição em que oravam, mas na disposição do coração com que se aproximavam de Deus.
Também encontramos a prática de levantar as mãos durante a oração.
"Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade."
(1 Timóteo 2:8)
"Levantemos o coração, juntamente com as mãos, para Deus nos céus."
(Lamentações 3:41)
Observe que Jeremias menciona primeiro o coração e depois as mãos. Da mesma forma, Paulo não enfatiza a posição das mãos, mas a santidade daqueles que oram. Em ambos os textos, o gesto exterior apenas expressa uma realidade interior.
"Este é para quem olharei: para o humilde e contrito de espírito, que treme da minha palavra."
(Isaías 66:2)
Toda a Escritura conduz à mesma conclusão:
• Ajoelhar-se é bíblico.
• Prostrar-se é bíblico.
• Permanecer em pé é bíblico.
Levantar os olhos aos céus é bíblico.
• Levantar as mãos também é bíblico.
Todas essas posturas podem expressar reverência, humildade e dependência, mas nenhuma delas possui mérito espiritual em si mesma. O corpo pode manifestar aquilo que existe no coração, porém jamais pode substituir um coração verdadeiramente rendido ao Senhor.
O Deus que recebeu Daniel de joelhos, Ana derramando silenciosamente sua alma, Paulo ajoelhado na praia e o publicano em pé no templo continua olhando, acima de tudo, para o coração daquele que se aproxima dEle pela fé.
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Um dos relatos mais belos sobre a oração encontra-se na história de Ana. Durante anos ela suportou a dor da esterilidade e derramou lágrimas diante do Senhor. Quando finalmente foi ao tabernáculo, não procurou chamar a atenção das pessoas nem realizar qualquer demonstração exterior de espiritualidade. Seu único desejo era apresentar sua aflição diante de Deus.
A narrativa concentra toda a atenção em seu interior. O Espírito Santo não faz qualquer questão de registrar a posição do corpo de Ana. Em vez disso, destaca sua sinceridade, sua dor e sua total dependência do Senhor. O foco da narrativa não está na maneira como ela se colocou diante de Deus, mas na maneira como abriu seu coração diante dEle.
"Porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma..."
(1 Samuel 1:13)
"Não, senhor meu... derramei a minha alma perante o Senhor."
(1 Samuel 1:15)
Há ainda um detalhe muito significativo nessa narrativa:
Enquanto Ana orava, Eli a observava atentamente. No entanto, sua primeira conclusão não foi que ela estivesse em oração, mas que estivesse embriagada. Isso revela que Ana não adotava uma postura que, por si só, identificasse aquele momento como uma oração. Ela apenas movia os lábios silenciosamente diante do Senhor, enquanto derramava sua alma em Sua presença.
Se Deus houvesse estabelecido que toda oração devesse ser feita de joelhos, dificilmente Eli teria chegado a essa conclusão. Ao vê-la, naturalmente teria reconhecido que ela estava orando. O próprio fato de interpretar aquela cena de outra maneira demonstra que a posição do corpo não era tratada como uma regra universal para a oração. O Espírito Santo preservou esse detalhe para mostrar que Deus não condiciona a aceitação da oração a uma postura específica, mas olha para o coração daquele que O busca.
Ana não apresenta méritos pessoais, não exige direitos nem tenta convencer Deus por meio de algum gesto exterior. Ela simplesmente derrama sua alma diante do Senhor. Antes mesmo de receber a resposta, seu coração já havia encontrado descanso. A paz não nasceu da solução do problema, mas da confiança depositada em Deus.
"Foi-se a mulher no seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste."
(1 Samuel 1:18)
"Lembrou-se dela o Senhor."
(1 Samuel 1:19)
Quando o Senhor respondeu à oração de Ana, não estava apenas concedendo o desejo de uma mãe aflita. Deus estava cumprindo Seu próprio propósito na história da redenção. Ana havia pedido um filho para consagrá-lo ao Senhor por todos os dias da sua vida, e Deus já havia determinado levantar Samuel como profeta para conduzir Israel em um dos períodos mais importantes de sua história.
É importante destacar que a oração de Ana não mudou os planos de Deus; ela foi o meio soberanamente estabelecido pelo próprio Deus para realizar aquilo que havia decretado. Assim, vemos que a verdadeira oração não busca dobrar a vontade de Deus à nossa, mas nos conduz a participar dos Seus eternos propósitos.
Esse relato harmoniza-se perfeitamente com o restante das Escrituras. Deus não procura uma postura específica, mas um coração quebrantado e sincero. É exatamente por isso que Davi afirma que o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado, e o salmista declara que Ele está próximo de todos os que O invocam em verdade.
"Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado."
(Salmos 34:18)
"Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade."
(Salmos 145:18)
Se Deus houvesse determinado que apenas a oração de joelhos fosse aceita, seria exatamente essa a ocasião em que o Espírito Santo destacaria esse detalhe. Entretanto, isso não acontece. Pelo contrário, a própria reação de Eli mostra que a postura de Ana não servia como um sinal obrigatório de que alguém estivesse orando.
Além disso, a resposta de Deus evidencia que o Senhor não foi movido por um gesto exterior, mas por Seu eterno propósito, ao qual Ana, pela graça, foi levada a se unir. A narrativa dirige toda a atenção para a sinceridade da fé, para um coração derramado diante de Deus e para a soberania do Senhor que realiza Seus propósitos por meio das orações do Seu povo. Mais uma vez aprendemos que o Senhor não procura uma postura específica, mas um coração humilde que confia nEle.
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Depois de examinar todas essas passagens, chegamos ao ponto central deste estudo. Se Deus não exige uma única postura corporal para a oração, o que realmente torna uma oração aceitável diante dEle? O próprio Senhor Jesus responde essa pergunta ao contar a parábola do fariseu e do publicano.
Os dois homens dirigiam-se ao mesmo Deus, estavam no mesmo lugar e adotavam a mesma postura física. No entanto, apenas um voltou para casa justificado. O fariseu aproximou-se confiando em suas próprias obras; o publicano aproximou-se reconhecendo sua culpa e lançando-se completamente sobre a misericórdia divina. Cristo não estabelece um contraste entre posturas corporais, mas entre dois corações completamente diferentes.
"Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar..."
(Lucas 18:10-14)
A diferença estava no objeto da confiança. O fariseu confiava em sua justiça; o publicano confiava na graça de Deus. Esse continua sendo o grande perigo. Podemos abandonar a confiança em jejuns, esmolas ou outros atos religiosos e, sem perceber, começar a confiar na postura da oração. Quando pensamos que Deus certamente nos ouvirá porque estamos ajoelhados, estamos apenas substituindo uma obra humana por outra.
"O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento."
(Provérbios 15:8)
"A súplica de um justo pode muito, por sua eficácia."
(Tiago 5:16)
Entretanto, nem mesmo um coração quebrantado possui mérito em si mesmo. Deus não recebe o pecador porque sua oração é suficientemente sincera, mas porque Cristo é o perfeito Mediador entre Deus e os homens. A humildade não compra o favor divino; ela apenas reconhece que dependemos inteiramente da graça. É por isso que toda oração verdadeiramente cristã termina apontando para Cristo e não para aquele que ora.
Assim, chegamos ao coração deste estudo. O que torna uma oração aceitável não é a posição do corpo, mas um coração humilde que se aproxima de Deus pela fé. E mesmo essa aproximação só é possível porque Jesus Cristo abriu o caminho até o Pai. É exatamente essa verdade que veremos na próxima seção.
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Depois de percorrer todas essas passagens, chegamos à pergunta mais importante de todo este estudo. Se Deus não exige uma única postura corporal para ouvir nossas orações, o que realmente nos dá acesso à Sua presença? A resposta das Escrituras não aponta para uma posição do corpo, mas para a obra perfeita de Cristo. Desde o princípio, a aproximação do homem com Deus nunca aconteceu por mérito humano, mas sempre pela provisão estabelecida pelo próprio Senhor.
No Antigo Testamento, a presença de Deus era simbolizada pelo Santo dos Santos, separado do restante do tabernáculo por um espesso véu. Aquela separação lembrava continuamente que o pecado havia criado um abismo entre Deus e o homem. Apenas o sumo sacerdote podia entrar naquele lugar, uma única vez por ano, levando o sangue do sacrifício pela expiação dos pecados do povo. Nem mesmo ele entrava por causa de sua postura corporal, de sua santidade pessoal ou de qualquer mérito próprio. Sua entrada dependia exclusivamente daquilo que Deus havia determinado.
"Sem derramamento de sangue, não há remissão."
(Hebreus 9:22)
Todo o sistema sacrificial era provisório e apontava para uma realidade muito maior. Os sacrifícios do Antigo Testamento jamais possuíram poder para remover definitivamente os pecados; eles apenas anunciavam a vinda do verdadeiro Cordeiro de Deus. Quando Cristo veio ao mundo e entregou Sua vida na cruz, cumpriu perfeitamente aquilo que todos aqueles símbolos anunciavam. O antigo sacerdote precisava repetir o sacrifício todos os anos; Cristo ofereceu Seu próprio sangue uma única vez, realizando uma redenção eterna e completa.
"Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção."
(Hebreus 9:12)
Perceba como a Escritura conduz nosso olhar para Cristo. O caminho até Deus nunca foi aberto por uma postura corporal, por uma cerimônia religiosa ou por qualquer esforço humano. Foi aberto exclusivamente pelo sacrifício perfeito do Filho de Deus. Por isso, quando o autor de Hebreus convida os cristãos a se aproximarem da presença divina, ele não menciona uma posição específica do corpo, mas apresenta o verdadeiro fundamento da nossa confiança.
"Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne... aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé."
(Hebreus 10:19-22)
Observe cuidadosamente o texto. A nossa ousadia para entrar na presença de Deus não repousa em joelhos dobrados, mãos levantadas ou qualquer outra postura exterior. Entramos pelo sangue de Jesus. Essa é a única base apresentada pelas Escrituras. Tudo aquilo que o Antigo Testamento anunciava encontra seu cumprimento definitivo na cruz de Cristo.
Essa verdade percorre todo o Novo Testamento. Paulo afirma que "por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito" (Efésios 2:18). Em seguida declara que "há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Timóteo 2:5). O próprio Senhor Jesus resumiu essa realidade quando afirmou: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).
Não existe outro acesso ao Pai. Não existe outro Mediador. Não existe outro fundamento sobre o qual um pecador possa aproximar-se de Deus. Toda tentativa de acrescentar qualquer mérito humano à obra de Cristo diminui a suficiência da cruz. Nossa esperança nunca repousou em atos externos de devoção, mas exclusivamente na obra consumada do nosso Salvador.
"E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos."
(Atos 4:12)
"Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles."
(Hebreus 7:25)
Isso não significa que a postura do corpo seja irrelevante. Ajoelhar-se continua sendo uma atitude bela e profundamente bíblica. Levantar as mãos, inclinar a cabeça ou prostrar-se diante do Senhor também podem expressar humildade, reverência e dependência. O próprio Jesus ajoelhou-Se diante do Pai (Lucas 22:41), e Paulo afirmou que dobrava seus joelhos em oração (Efésios 3:14). Essas atitudes apenas refletem um coração rendido plenamente diante de Deus.
O problema surge quando aquilo que deveria ser apenas uma expressão da fé passa a ocupar o lugar do fundamento da fé. Sempre que atribuirmos poder espiritual à posição do corpo, estaremos deslocando nossa confiança da obra de Cristo para uma obra realizada por nós mesmos. Ainda que isso aconteça de forma sincera, continuará sendo um erro, porque nenhuma atitude humana pode remover o pecado nem abrir o caminho até Deus.
Foi exatamente isso que Cristo realizou na cruz. João Batista apresentou Jesus dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1:29). Quando o Senhor entregou Sua vida, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo, anunciando que a separação causada pelo pecado havia sido removida e que o acesso ao Pai estava definitivamente aberto para todos os que creem.
"Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo."
(Mateus 27:51)
Paulo resume toda essa realidade em poucas palavras: "Agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo" (Efésios 2:13). Essa é a resposta definitiva para a pergunta que motivou este estudo. O que nos aproxima de Deus nunca foi a posição dos nossos joelhos. O que nos aproxima de Deus é unicamente a obra perfeita de Jesus Cristo, realizada em nosso favor na cruz.
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Ao longo deste estudo vimos que ajoelhar-se para orar é uma prática profundamente bíblica. Homens como Daniel, Salomão, Esdras, Paulo e o próprio Senhor Jesus dobraram os joelhos diante de Deus em diferentes ocasiões. Sempre que fazemos isso com sinceridade, expressamos humildade, reverência e dependência daquele que é digno de toda adoração. O erro nunca esteve em ajoelhar-se; o erro está em transformar uma prática piedosa em uma exigência que Deus jamais estabeleceu.
Também vimos que as Escrituras registram servos de Deus orando em pé, com as mãos levantadas, prostrados ou até mesmo em silêncio, como Ana, que derramou sua alma diante do Senhor. Em nenhum momento a Bíblia afirma que uma dessas posturas torna a oração mais aceitável do que outra. Pelo contrário, do Gênesis ao Apocalipse, Deus dirige nossa atenção para o coração daquele que ora.
Isso não significa que devemos desprezar o ato de ajoelhar-nos diante de Deus. Sempre que possível, essa continua sendo uma prática profundamente bíblica e uma bela expressão de reverência, humildade e dependência do Senhor. O que as Escrituras não nos permitem fazer é transformar essa atitude piedosa em um mandamento para todos, ou julgar a espiritualidade de alguém pela postura que adota ao orar. Onde Deus concedeu liberdade, nós também devemos preservar essa liberdade.
"Este é para quem olharei: para o humilde e contrito de espírito, que treme da minha palavra."
(Isaías 66:2)
Os joelhos expressam humildade. As mãos levantadas expressam dependência. O rosto em terra expressa reverência. As lágrimas revelam arrependimento. Tudo isso possui seu lugar na vida cristã. Entretanto, nenhuma dessas atitudes remove o pecado, justifica o pecador ou abre o caminho até Deus. Somente Cristo faz isso.
"O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."
(1 João 1:7)
"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes."
(Romanos 5:1-2)
Por essa razão, nossa confiança nunca esteve na postura do nosso corpo, mas na obra perfeita do nosso Salvador. Hoje podemos ajoelhar-nos diante do Senhor, permanecer em pé, levantar as mãos, inclinar a cabeça ou orar em silêncio. Podemos falar com Deus no templo, em casa, no trabalho, caminhando, dirigindo ou enfrentando as lutas da vida. Em qualquer uma dessas circunstâncias, somos ouvidos não por causa da posição do nosso corpo, mas porque fomos reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo.
"Cheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna."
(Hebreus 4:16)
Nossa ousadia não nasce da nossa postura.
Nossa ousadia nasce da cruz.
Nossos joelhos podem se dobrar diante do Senhor em reverência e adoração, mas nunca foram eles que abriram o caminho até o Pai.
Foi Jesus Cristo, por Sua morte e ressurreição, quem nos concedeu livre acesso ao trono da graça. Toda a glória pertence exclusivamente a Ele, hoje e eternamente. Amém.
SOLUS CHRISTUS
Autor: Wagner Costa