Efésios 4
(ARA)
(ARA)
Efésios 4 mostra como a obra que Deus realizou na salvação se manifesta na vida prática do crente. Não se trata de um chamado para produzir salvação, mas para viver de acordo com aquilo que Deus já fez. A prática não gera a nova vida, ela flui da nova vida que Deus já concedeu.
A unidade da Igreja não é construída pelo homem, ela já foi estabelecida por Deus em Cristo. O chamado agora é preservar essa unidade, não criá-la. Deus cria, o homem responde. Essa unidade não depende de esforço humano para existir, ela é realidade produzida e sustentada por Deus.
Cristo, exaltado, concede dons à Igreja, não como possibilidade de crescimento, mas como meio eficaz para edificação. O crescimento espiritual não depende da capacidade humana, mas da ação contínua de Cristo no seu corpo, conduzindo tudo ao fim determinado.
O capítulo também mostra a transformação de vida. O velho homem foi deixado, e o novo foi criado segundo Deus. Não é reforma moral, é nova identidade produzida por Deus. A mudança de vida não é causa da salvação, é evidência inevitável dela.
¹ Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
² com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,
³ esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;
⁴ há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação;
⁵ há um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
⁶ um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.
Comentário: Paulo não manda criar unidade, mas preservar a unidade do Espírito, porque ela já existe. Há um só corpo, um só Senhor e um só Deus, mostrando que a unidade nasce da própria obra de Deus. Como em João 17:21, Cristo não apenas desejou essa unidade, Ele a estabeleceu e garante sua existência na sua obra. O homem não produz isso, apenas vive à luz disso. É como uma família, ela não se torna família pelo esforço, ela já é. A unidade é obra de Deus, realidade estabelecida e sustentada por Ele, não construção humana.
⁷ E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo.
⁸ Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.
⁹ Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?
¹⁰ Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.
¹¹ E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,
Comentário: Cristo, após sua obra redentora, distribui dons à Igreja. Isso mostra que o crescimento não depende da iniciativa humana, mas da ação soberana de Cristo. Como em 1 Coríntios 12:11, é o Espírito quem distribui a cada um como quer. Os dons não são mérito, são graça. Cristo não apenas salva, Ele equipa sua Igreja de forma eficaz, garantindo o desenvolvimento do seu corpo.
¹² com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,
¹³ até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,
¹⁴ para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro;
¹⁵ mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo,
¹⁶ de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.
Comentário: O crescimento da Igreja é direcionado por Cristo e conduzido ao alvo certo. Não é um processo incerto, é determinado e garantido por Deus. O objetivo é maturidade em Cristo, como em Colossenses 1:28, onde Deus conduz à perfeição. O corpo cresce porque está ligado à cabeça. É como um corpo vivo, que cresce naturalmente porque tem vida. O crescimento espiritual não depende da força humana, mas da vida que vem de Cristo e opera continuamente no corpo, conduzindo-o de forma segura à maturidade. Essa cooperação não é origem do crescimento, é resultado da vida que Cristo já opera no corpo.
¹⁷ Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos,
¹⁸ obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,
¹⁹ os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.
²⁰ Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,
²¹ se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus,
²² no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,
²³ e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,
²⁴ e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Comentário: Paulo mostra dois estados, velho e novo homem. Não há meio termo. O velho homem está corrompido, afastado de Deus, como também em Romanos 3:10–12. O novo homem não é uma melhoria, é criação segundo Deus. Como em 2 Coríntios 5:17, é nova criatura. Isso não é esforço humano, é resultado da regeneração já realizada por Deus. É como trocar completamente de natureza, não ajustar comportamento. A transformação não é reforma, é nova criação efetiva, produzida por Deus e evidenciada na vida.
²⁵ Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
²⁶ Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,
²⁷ nem deis lugar ao diabo.
²⁸ Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado.
²⁹ Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.
³⁰ E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.
³¹ Longe de vós toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias e bem assim toda malícia.
³² Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Comentário: As exortações práticas não são meios de salvação, mas frutos dela. O crente vive diferente porque já foi transformado por Deus. O selo do Espírito garante que essa obra chegará ao fim. Como em Efésios 1:13–14, o Espírito é garantia, não tentativa. É como uma árvore, ela não produz fruto para se tornar viva, mas porque já está viva. A nova vida produz novos frutos, de forma inevitável e contínua, porque procede da obra eficaz de Deus, que sustenta, conduz e completa tudo até o fim.