Romanos 1
(NVT)
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Romanos 1 já começa deixando claro que NADA gira em torno do homem.
Paulo se apresenta como escravo de Cristo, chamado e separado por Deus, e anuncia um evangelho que não nasce da vontade humana, mas do decreto soberano, eterno e imutável de Deus, prometido nas Escrituras e plenamente revelado em Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, confirmado com poder pela ressurreição.
Antes de falar de salvação, Paulo faz questão de expor o problema:
O evangelho é o poder de Deus porque, desde o Éden, o homem está naturalmente cego, morto espiritualmente, e seu arbítrio não é livre, mas cativo ao pecado.
Deus se revelou claramente na criação, mas o homem suprimiu a verdade, recusou-se a glorificar e agradecer ao Criador e, conscientemente, trocou a glória de Deus pela idolatria. O pecado do homem começou quando rejeitou a autoridade de Deus e desejou ser como Ele, assumindo para si o direito de definir o bem e o mal (Gênesis 3:5).
Como juízo justo, Deus entrega o homem ao próprio pecado. Primeiro aos desejos do coração, depois à distorção da ordem criada e, por fim, a uma mente reprovada. O resultado é uma humanidade moralmente corrompida, consciente de sua culpa, mas ainda assim persistente no erro e no incentivo ao pecado.
Este capítulo prepara o leitor para entender que, se Deus depender da vontade ou cooperação do homem, NINGUÉM SERÁ SALVO, pois todos nascem naturalmente amando o que Deus abomina e odiando o que Ele ama. Aqui, o apóstolo destrói qualquer ilusão de bondade humana e abre o caminho para a única esperança possível: a boa notícia do verdadeiro evangelho, que anuncia a perfeita obra de Cristo como o poder eficaz de Deus para salvar pecadores, por meio EXCLUSIVO de sua Graça Soberana.
¹ Eu, Paulo, escravo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo e enviado para anunciar as boas-novas de Deus,
² as quais ele prometeu muito tempo atrás por meio de seus profetas nas Sagradas Escrituras.
³ As boas-novas dizem respeito a seu Filho, que, como homem, foi descendente do rei Davi,
⁴ e, por meio do Espírito Santo, foi declarado Filho de Deus ao ser ressuscitado dos mortos. Ele é Jesus Cristo, nosso Senhor.
Comentário: Paulo começa definindo quem ele é diante de Deus, não diante dos homens. Ele é escravo de Cristo, chamado e separado por iniciativa divina, não por escolha pessoal, como ele mesmo afirma em Gálatas 1:15. O evangelho que anuncia não é novidade, mas cumprimento do que Deus prometeu “pelos seus profetas”, mostrando a unidade entre Antigo e Novo Testamento. O centro desse evangelho é Jesus Cristo, verdadeiro homem, descendente de Davi (2 Samuel 7:12–13), e verdadeiro Deus, declarado Filho com poder pela ressurreição. Como afirma Atos 2:36, a ressurreição confirma publicamente quem Cristo sempre foi.
⁵ Por meio dele recebemos graça e autoridade como apóstolos, para chamar gente de todas as nações a crer nele e a obedecer-lhe, para a glória de seu nome.
⁶ E vocês estão incluídos entre os chamados para pertencer a Jesus Cristo.
⁷ Escrevo a todos vocês em Roma, amados por Deus e chamados para serem seu povo santo. Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Comentário: A missão apostólica não visa apenas produzir informação religiosa, mas gerar a obediência que nasce da fé. A fé verdadeira nunca permanece estéril, como também ensina Tiago 2:17. Os cristãos de Roma são chamados de amados por Deus, não por mérito, mas por eleição graciosa, como Paulo afirma em Efésios 1:4–5. “Graça e paz” resumem toda a obra da salvação: a graça remove a culpa, a paz restaura a relação com Deus (Romanos 5:1).
⁸ Antes de tudo, agradeço a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vocês, pois em todo o mundo se fala de sua fé.
⁹ Deus sabe com que frequência me lembro de vocês em minhas orações. Sirvo a Deus com todo o meu ser, anunciando as boas-novas de seu Filho.
¹⁰ Uma das coisas que sempre peço em oração é a oportunidade, se Deus quiser, de visitá-los.
Comentário: A fé da igreja em Roma tornou-se conhecida porque era visível e viva, confirmando o ensino de Jesus de que a fé verdadeira se manifesta (Mateus 5:16). Paulo demonstra cuidado pastoral ao orar constantemente por eles, reconhecendo que todo avanço espiritual depende da vontade de Deus. Seu desejo de visitá-los está submetido ao “se Deus quiser”, o mesmo princípio ensinado em Tiago 4:15, mostrando total dependência da soberania divina.
¹¹ Pois anseio vê-los para lhes transmitir algum dom espiritual que os fortaleça.
¹² Quando nos encontrarmos, quero encorajá-los na fé, e também ser encorajado pela fé de vocês.
¹³ Quero que saibam, irmãos, que muitas vezes planejei ir visitá-los, mas até agora fui impedido. Meu desejo é trabalhar entre vocês e ver resultados, como tenho visto entre os demais gentios.
¹⁴ Pois tenho a obrigação de trabalhar tanto com os gentios civilizados como com os incivilizados, tanto com os instruídos como com os ignorantes.
¹⁵ Por isso estou ansioso para visitá-los em Roma e anunciar-lhes as boas-novas.
Comentário: Paulo entende a vida da igreja como um ambiente de edificação mútua, não de hierarquia espiritual. Ele deseja ensinar e também ser encorajado, refletindo o princípio de Provérbios 27:17. Sua obrigação com todos os povos mostra que o evangelho não pertence a uma cultura, mas a Deus. Como Jesus ordenou em Mateus 28:19, a mensagem é para todas as nações, sem distinção.
¹⁶ Pois não me envergonho das boas-novas, que são o poder de Deus para salvar todos os que creem — primeiro o judeu e também o gentio.
¹⁷ As boas-novas mostram como Deus nos torna justos diante dele, o que se realiza do princípio ao fim pela fé. Como dizem as Escrituras: “O justo viverá pela fé” (Habacuque 2:4).
Comentário: Aqui Paulo apresenta o tema central da carta. O evangelho não é sugestão moral, mas poder de Deus para salvar. A salvação não depende da capacidade humana, mas da ação divina. A justiça de Deus é revelada “do princípio ao fim pela fé”, confirmando que a salvação sempre foi pela fé, como já ensinava Habacuque 2:4. Paulo reforça essa verdade em Gálatas 3:11, mostrando que a Escritura é coerente em todas as épocas.
¹⁸ Mas Deus mostra do céu sua ira contra todos os que são pecadores e perversos, que por meio da maldade impedem que a verdade seja conhecida.
¹⁹ Sabem a verdade a respeito de Deus, pois ele a tornou evidente.
²⁰ Por meio de tudo que foi criado, as pessoas podem ver claramente os atributos invisíveis de Deus — seu poder eterno e sua natureza divina. Portanto, não têm desculpa alguma.
Comentário: Antes de explicar a salvação, Paulo mostra a culpa universal. Deus se revelou claramente na criação, de modo que ninguém pode alegar ignorância. Salmos 19:1 afirma que a criação proclama a glória de Deus. O problema do homem não é falta de revelação, mas supressão consciente da verdade. Assim, todos estão justamente debaixo da ira divina, como Paulo retomará em Romanos 3:9–12.
²¹ Sabiam quem Deus é, mas não o adoraram nem lhe agradeceram. Em vez disso, começaram a inventar tolices e, com isso, sua mente ficou obscurecida.
²² Alegando ser sábios, tornaram-se tolos.
²³ Trocaram a glória do Deus imortal por imagens de seres humanos mortais, de aves, de animais e de répteis.
Comentário: O declínio humano começa quando o homem recusa glorificar e agradecer a Deus. A idolatria é trocar o Criador por algo criado. Jeremias 2:13 descreve esse mesmo erro: abandonar a fonte de água viva. Quando isso acontece, a mente se obscurece, e o homem passa a chamar erro de sabedoria, cumprindo o que Isaías 5:20 já havia denunciado.
²⁴ Por isso Deus os entregou aos desejos pecaminosos do coração. Como resultado, praticaram entre si coisas indignas com o próprio corpo.
²⁵ Trocaram a verdade sobre Deus pela mentira e adoraram e serviram coisas criadas em lugar do Criador, que é digno de louvor eterno! Amém.
Comentário: Ao rejeitar a Deus, o homem é entregue ao próprio pecado. Isso não é ausência de Deus, mas juízo justo, como afirma o Salmo 81:12. A impureza surge como consequência direta de trocar a verdade pela mentira. O pecado não começa no corpo, mas no coração que deixou de adorar o Criador.
²⁶ Por isso Deus os entregou a desejos vergonhosos. Até as mulheres trocaram sua forma natural de ter relações sexuais por práticas não naturais.
²⁷ Da mesma forma, os homens, em vez de ter relações normais com mulheres, arderam de desejo uns pelos outros. Homens praticaram atos indecentes com outros homens e, em decorrência disso, sofreram em si mesmos o castigo que mereciam.
Comentário: Aqui Paulo mostra que rejeitar a ordem criada resulta em distorções mais profundas. A sexualidade, criada por Deus como boa (Gênesis 1:27–28), torna-se desordenada quando o homem rejeita o Criador. Essa entrega revela um juízo presente, no qual o pecado produz consequências internas, confirmando que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).
²⁸ Uma vez que consideraram que conhecer a Deus era algo inútil, Deus os entregou a um modo de pensar inútil e deixaram de fazer o que deviam.
²⁹ Tornaram-se cheios de toda sorte de pecado: maldade, ganância, ódio, inveja, homicídio, discórdia, engano, comportamento perverso e fofocas.
³⁰ Tornaram-se caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, orgulhosos, arrogantes — e inventam novas maneiras de pecar. Desobedecem aos pais,
³¹ não têm entendimento, quebram suas promessas, não mostram afeição nem misericórdia.
³² Sabem que, de acordo com a justiça de Deus, quem pratica essas coisas merece morrer, mas continuam a praticá-las e ainda incentivam outros a fazê-lo.
Comentário: Esta é a entrega mais grave. Deus permite que a mente se torne confusa, endurecida e moralmente corrompida. Efésios 4:17–19 descreve esse mesmo estado de cegueira espiritual. A longa lista de pecados mostra como o afastamento de Deus destrói a consciência, os relacionamentos e a sociedade. Mesmo sabendo que tais práticas conduzem à morte, o homem persiste nelas e ainda incentiva outros, revelando a profundidade da corrupção do coração humano, exatamente como descrito em Jeremias 17:9.