Essa pergunta é muito comum quando falamos sobre soberania de Deus.
Mas, para respondê-la corretamente, primeiro precisamos entender qual é o propósito da criação, pois sem esse fundamento a pergunta sempre parecerá injusta, confusa ou sem resposta.
A Bíblia ensina que Deus criou todas as coisas para que Ele fosse plenamente conhecido e glorificado na revelação de quem Ele é.
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!"
(Romanos 11:36)
Ou seja, toda a história da criação existe para revelar quem Deus é.
Isso inclui a revelação de seus atributos:
sua santidade
sua justiça
sua ira contra o pecado
sua misericórdia
sua graça salvadora
É importante deixar algo muito claro desde o início.
A queda não foi necessária para que Deus fosse Deus.
Deus é eternamente perfeito, completo e plenamente glorioso em si mesmo.
Deus não precisava da criação, do pecado ou da redenção para ser quem Ele é.
Deus não criou o mundo para completar algo que lhe faltava.
Deus criou o mundo para manifestar sua glória.
Porém, na história que Ele soberanamente decretou criar e governar, Deus decidiu revelar plenamente seus atributos na obra da redenção.
Isso não significa que Deus tenha prazer no pecado ou que o pecado seja algo bom.
A própria Escritura afirma o contrário:
"Porque não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal."
(Salmos 5:4)
Portanto, quando falamos que a queda foi permitida dentro do plano de Deus, não estamos dizendo que Deus aprovou o pecado ou que o pecado seja algo desejável.
Estamos dizendo que Deus decidiu governar uma história na qual o pecado existe, e nessa história Ele revela plenamente sua justiça e sua graça.
Por isso, dentro da história da criação e da redenção, vemos a manifestação de atributos divinos que não seriam revelados da mesma forma se não houvesse pecado e redenção.
Por exemplo:
Sem pecado, não conheceríamos a justiça de Deus contra o mal.
Sem culpa, não conheceríamos a misericórdia de Deus para com pecadores.
Sem condenação, não conheceríamos a graça salvadora de Deus.
E é na cruz que todos esses atributos se encontram de maneira perfeita.
Na cruz vemos ao mesmo tempo:
o quanto Deus odeia o pecado
e
o quanto Deus ama e salva pecadores pela graça.
Por isso a Bíblia mostra que a história da redenção sempre fez parte do plano eterno de Deus.
Cristo não foi escolhido como Salvador depois que o homem pecou.
A Escritura afirma:
"O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo."
(Apocalipse 13:8)
E a mesma verdade aparece em outro texto:
"...conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos por amor de vós."
(1 Pedro 1:20)
Ou seja, antes mesmo da criação existir, a redenção já fazia parte do plano eterno de Deus.
Isso significa que a queda não foi um acidente, nem um imprevisto na história.
Nada saiu do controle de Deus.
Nada pegou Deus de surpresa.
A queda aconteceu dentro daquilo que Deus, em sua soberania, decretou permitir, sem que, em nenhum momento, Ele se tornasse autor do pecado.
O próprio apóstolo Paulo explica que a história da redenção revela quem Deus é.
"Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para destruição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão?"
(Romanos 9:22-23)
Perceba cuidadosamente o que o texto diz.
Deus quis manifestar algo.
Manifestar sua justiça contra o pecado.
Manifestar seu poder.
Manifestar as riquezas da sua graça.
Isso não significa que Deus tenha prazer no pecado.
Significa que, dentro da história que Ele soberanamente governa, Deus decidiu revelar plenamente sua justiça e sua graça na obra da redenção.
Ou seja, Deus quer ser plenamente conhecido.
E a história da criação, da queda e da redenção faz parte dessa revelação.
Por isso a pergunta não deve ser apenas:
por que Deus colocou a árvore no Éden?
A pergunta mais fundamental é:
qual é o propósito de Deus ao criar todas as coisas?
E a resposta bíblica é clara:
Deus criou todas as coisas para a manifestação da sua glória.
Nas próximas mensagens vamos aprofundar alguns pontos importantes, porque ainda precisamos entender:
por que a árvore precisava estar no Éden
por que Deus não é o autor do pecado
como a responsabilidade humana continua existindo
por que a cruz nunca foi um plano B
e por que a salvação pertence inteiramente ao Senhor
Sem entender esses pontos, a pergunta sempre parecerá um problema.
Mas quando olhamos para toda a história da redenção nas Escrituras, percebemos algo impressionante:
A queda não foi um acidente.
A cruz não foi um improviso.
E a salvação, do começo ao fim, pertence ao Senhor.
Quando entendemos isso, a pergunta deixa de ser
“por que Deus colocou a árvore no Éden?”
A pergunta passa a ser:
Como um Deus tão santo decidiu salvar pecadores como nós?
Agora que entendemos o panorama geral, precisamos responder diretamente à pergunta:
Se Deus sabia que o homem iria cair, por que colocou a árvore no Éden?
A primeira coisa que precisamos entender é que a árvore não era uma armadilha.
Ela fazia parte da própria estrutura da criação do homem e expressava duas verdades fundamentais estabelecidas por Deus desde o início:
a autoridade do Criador
a responsabilidade moral da criatura
A Escritura diz:
"De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás."
(Gênesis 2:16-17)
Perceba que Deus deu ao homem um mandamento claro.
Esse mandamento não existia porque Deus precisava descobrir algo que não soubesse.
Deus já conhecia perfeitamente o coração do homem.
"O Senhor conhece os pensamentos do homem."
(Salmos 94:11)
Portanto, o mandamento não era um teste para informar Deus.
O mandamento existia porque a criatura vive debaixo da autoridade do Criador.
Desde o início, Deus estabelece uma realidade fundamental da existência humana:
O homem não é autônomo.
O homem não define por si mesmo o que é bem e o que é mal.
O homem foi criado para viver em submissão à Palavra de Deus.
Nesse sentido, a árvore funcionava como um sinal visível da autoridade de Deus.
Ela representava a linha clara entre:
a autoridade do Criador
a submissão da criatura
Por isso, a presença da árvore estabelecia uma verdade essencial da moralidade humana.
Sem mandamento, não existe transgressão consciente.
"Porque onde não há lei, também não há transgressão."
(Romanos 4:15)
E sem possibilidade real de desobedecer ao mandamento de Deus, não existe responsabilidade moral verdadeira.
Alguns tentam resolver esse problema dizendo que Deus deveria ter criado o homem sem qualquer possibilidade de desobedecer.
Mas esse raciocínio ignora um ponto fundamental da própria narrativa bíblica.
O problema nunca foi a existência da árvore.
O problema foi o coração humano quando confrontado com a tentação.
A própria Escritura mostra como o pecado aconteceu.
"E viu a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento; tomou-lhe do fruto e comeu."
(Gênesis 3:6)
Observe a progressão do texto.
Eva viu.
Eva desejou.
Eva tomou.
Ou seja, o pecado nasce no desejo da criatura quando ela decide acolher a tentação.
Isso é confirmado em outro texto das Escrituras:
"Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz."
(Tiago 1:14)
Portanto, a árvore não produziu o pecado.
Ela apenas revelou a rebelião do coração humano quando a tentação foi acolhida.
Isso também corrige outro erro comum.
Alguns dizem que, se Deus colocou a árvore ali, então Deus teria causado a queda.
Mas isso não é o que a Escritura ensina.
Deus deu um mandamento santo.
O homem escolheu violá-lo.
A responsabilidade pelo pecado pertence à criatura.
"E viu... desejou... tomou."
Ao mesmo tempo, a Bíblia também afirma outra verdade igualmente clara:
nada acontece fora da soberania de Deus.
Deus não é surpreendido por eventos.
Deus não reage a acontecimentos que fugiram do seu controle.
Ele governa soberanamente a história.
Por isso as Escrituras afirmam duas verdades ao mesmo tempo:
Deus é absolutamente soberano.
O homem é responsável por seu pecado.
A Bíblia afirma essas duas verdades sem eliminar uma para preservar a outra.
Quando alguém tenta resolver essa tensão negando a soberania de Deus ou negando a responsabilidade humana, acaba distorcendo o próprio ensino das Escrituras.
Por isso, a pergunta mais profunda não é:
por que Deus colocou a árvore no Éden?
A pergunta mais profunda é:
por que o homem escolheu desobedecer a um Deus perfeitamente santo, justo e bom?
E quando avançamos nessa pergunta, surge uma questão ainda mais profunda:
Se Deus é soberano e o homem é responsável, por que Deus permitiu que a queda acontecesse?
É exatamente isso que vamos examinar a seguir nas Escrituras.
Depois de entendermos que a árvore não era uma armadilha e que o homem pecou voluntariamente, surge uma pergunta inevitável:
Por que Deus permitiu a queda?
A Bíblia responde essa pergunta apontando para algo muito mais profundo do que normalmente imaginamos.
A história da redenção existe para revelar plenamente quem Deus é.
Paulo trata exatamente disso em Romanos:
"Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para destruição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão?"
(Romanos 9:22-23)
Observe atentamente o que o texto diz.
Deus quis manifestar algo.
Manifestar sua justiça contra o pecado.
Manifestar seu poder.
Manifestar as riquezas da sua graça.
Isso não significa que Deus tenha prazer no pecado.
A própria Escritura afirma o contrário:
"Porque não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal."
(Salmos 5:4)
"Os teus olhos são tão puros, que não suportam ver o mal."
(Habacuque 1:13)
Portanto, quando afirmamos que Deus decidiu permitir a queda dentro da história que governa, não estamos dizendo que Deus aprovou o pecado, desejou o pecado ou produziu o pecado.
Estamos dizendo que Deus decidiu governar soberanamente uma história na qual o pecado existe, e nessa história Ele revela plenamente sua justiça e sua graça na obra da redenção.
Isso significa duas coisas ao mesmo tempo:
Deus não é o autor do pecado.
E o pecado não está fora do governo de Deus.
A própria Escritura mostra que Deus governa até mesmo os eventos mais graves da história humana.
O exemplo mais claro disso é a crucificação de Cristo.
"sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos."
(Atos 2:23)
Observe as duas verdades presentes no texto.
A morte de Cristo aconteceu:
pelo determinado desígnio de Deus
pelas mãos pecaminosas dos homens
Ou seja, Deus governava soberanamente o evento.
Mas os homens continuavam plenamente responsáveis pelo pecado que cometeram.
Esse mesmo princípio nos ajuda a entender a queda.
Deus permitiu a queda dentro da história que governa.
O homem continua sendo responsável pelo pecado que cometeu.
Essas duas verdades aparecem juntas nas Escrituras e não devem ser separadas.
Voltando ao texto de Romanos 9, Paulo explica que, dentro dessa história, Deus revela seus atributos.
Deus revela sua justiça no julgamento do pecado.
Deus revela sua graça na salvação de pecadores.
Isso se torna plenamente visível na cruz.
Sem pecado, não haveria condenação.
Sem condenação, não haveria redenção.
Sem redenção, não conheceríamos a profundidade da graça de Deus.
E é na cruz que tudo isso se revela de forma perfeita.
Na cruz vemos duas realidades acontecendo ao mesmo tempo.
Vemos o quanto Deus odeia o pecado.
E vemos o quanto Deus salva pecadores pela graça.
Na cruz, Deus não ignora o pecado.
A justiça de Deus não é suspensa.
Ela é plenamente satisfeita.
Cristo recebe a punição que os pecadores mereciam.
"Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus."
(2 Coríntios 5:21)
Na cruz, Deus permanece perfeitamente justo.
E ao mesmo tempo justifica pecadores.
É exatamente isso que Paulo explica em outro texto fundamental:
"sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus;
a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;
tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus."
(Romanos 3:24-26)
Perceba novamente o propósito apresentado por Paulo.
Deus fez isso para manifestar sua justiça.
Ou seja, na cruz vemos algo glorioso:
Deus continua sendo perfeitamente justo
e
Deus salva pecadores pela graça.
Por isso a queda não foi um acidente.
Ela faz parte da história que conduz à maior revelação da glória de Deus:
a redenção em Cristo.
Isso não significa que o pecado seja algo bom.
O pecado continua sendo rebelião contra Deus.
Mas Deus, em sua soberania, decidiu permitir que o pecado existisse para que, na obra da redenção, sua justiça e sua graça fossem plenamente reveladas.
Por isso a Escritura declara:
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém."
(Romanos 11:36)
Tudo começa em Deus.
Tudo acontece sob o governo de Deus.
E tudo termina na revelação da glória de Deus.
A criação, a queda e a redenção fazem parte dessa história.
Nas próximas mensagens precisamos tratar de outra objeção importante:
Se Deus permitiu a queda, então Deus seria o autor do pecado?
É exatamente isso que vamos examinar a seguir nas Escrituras.
Depois de entendermos que Deus permitiu a queda dentro da história que governa, surge uma objeção muito comum:
Se Deus decretou permitir a queda, então Deus seria o autor do pecado?
A resposta bíblica é clara:
não.
A Escritura afirma duas verdades ao mesmo tempo, e nenhuma delas pode ser negada:
Deus é absolutamente soberano sobre todas as coisas.
O homem é totalmente responsável pelo seu pecado.
Negar qualquer uma dessas duas verdades significa distorcer o ensino das Escrituras.
A Bíblia nunca apresenta Deus como autor do mal moral.
"Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta."
(Tiago 1:13)
Deus é perfeitamente santo.
"Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas obras."
(Salmos 145:17)
Isso significa que o mal moral não nasce em Deus.
O pecado nasce no coração da criatura.
Tiago explica exatamente como o pecado acontece.
"Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte."
(Tiago 1:14-15)
Observe cuidadosamente a progressão descrita pela Escritura.
O pecado nasce:
na cobiça
do coração humano.
Foi exatamente isso que aconteceu no Éden.
"E viu a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento; tomou-lhe do fruto e comeu."
(Gênesis 3:6)
Observe novamente a sequência do texto.
Eva viu.
Eva desejou.
Eva tomou.
Ou seja, o pecado nasceu do desejo da criatura quando ela acolheu a tentação.
Deus não forçou o homem a pecar.
Deus não criou o pecado.
A responsabilidade pelo pecado pertence inteiramente à criatura.
Ao mesmo tempo, a Bíblia afirma outra verdade igualmente clara:
nada acontece fora da soberania de Deus.
Deus governa a história.
Ele não é surpreendido por eventos.
Ele não reage a acontecimentos que fugiram do seu controle.
Ele reina sobre todas as coisas.
"O Senhor fez todas as coisas para determinados fins."
(Provérbios 16:4)
"O coração do rei é como ribeiros de águas na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina."
(Provérbios 21:1)
Isso não significa que Deus pratique o pecado.
Significa que Deus governa soberanamente uma história na qual criaturas responsáveis pecam.
Aqui é importante fazer uma distinção que a própria teologia bíblica sempre preservou:
Deus decreta permitir o pecado, mas não o produz moralmente.
Ou seja, o pecado não nasce da santidade de Deus.
Ele nasce da rebelião da criatura.
Ao mesmo tempo, esse pecado nunca escapa do governo soberano de Deus.
A própria Escritura mostra isso no evento mais grave da história humana:
a crucificação de Cristo.
A Bíblia afirma que a morte de Cristo aconteceu dentro do plano eterno de Deus.
"sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos."
(Atos 2:23)
Observe cuidadosamente o que o texto afirma.
A crucificação aconteceu:
pelo determinado desígnio de Deus
pelas mãos pecaminosas dos homens
Ou seja, o mesmo evento possui duas dimensões.
Do ponto de vista do plano de Deus, ele acontece conforme o decreto soberano.
Do ponto de vista humano, ele acontece através do pecado real de homens responsáveis.
Deus decretou que a crucificação aconteceria.
Mas os homens continuam sendo plenamente responsáveis pelo pecado que cometeram.
Esse mesmo princípio ajuda a entender a queda.
Deus determinou permitir a queda dentro da história que governa.
O homem continua sendo responsável pelo pecado que cometeu.
Essas duas verdades aparecem juntas em toda a Escritura.
A Bíblia não elimina uma para proteger a outra.
Ela afirma ambas.
Quando alguém tenta resolver esse problema negando a soberania de Deus, acaba criando um deus limitado, que reage à história em vez de governá-la.
Quando alguém tenta resolver esse problema negando a responsabilidade humana, acaba transformando o homem em uma vítima inocente do pecado.
Nenhuma dessas posições corresponde ao ensino bíblico.
A Escritura afirma simultaneamente:
Deus é soberano.
O homem é responsável.
Deus permanece perfeitamente santo.
E o homem permanece plenamente culpado por seu pecado.
Por isso a pergunta seguinte se torna inevitável:
Se Deus é perfeitamente santo e o homem é verdadeiramente culpado, como pecadores podem ser salvos diante de um Deus justo?
É exatamente isso que veremos a seguir.
Depois de entendermos o propósito da criação, o papel da árvore no Éden, a responsabilidade humana e a soberania de Deus, chegamos agora a um ponto central de toda a revelação bíblica.
A salvação pertence inteiramente ao Senhor.
A própria Escritura afirma isso de forma direta:
"A salvação pertence ao Senhor."
(Jonas 2:9)
Isso significa que a redenção não nasce na iniciativa humana.
Ela nasce na misericórdia soberana de Deus.
Para entender isso corretamente, precisamos primeiro compreender a real condição do homem depois da queda.
Muitas vezes as pessoas imaginam que o pecado apenas enfraqueceu o homem espiritualmente.
Mas a Bíblia descreve uma realidade muito mais profunda.
O homem está espiritualmente morto.
"E vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados."
(Efésios 2:1)
Essa linguagem não é simbólica ou exagerada.
Ela descreve a incapacidade espiritual do pecador diante de Deus.
Um morto não pode produzir vida.
Um morto não pode reagir.
Um morto não pode ressuscitar a si mesmo.
Da mesma forma, o pecador não possui em si mesmo a capacidade de gerar vida espiritual.
Isso não significa que o homem perdeu sua responsabilidade moral.
Significa que ele perdeu sua capacidade espiritual de se voltar para Deus por si mesmo.
A própria Escritura descreve essa realidade.
"Não há quem entenda, não há quem busque a Deus."
(Romanos 3:11)
Isso não quer dizer que o homem nunca pratique religião ou espiritualidade.
Significa que, por natureza, o coração humano não busca o verdadeiro Deus em submissão e arrependimento.
O homem busca deuses que se adaptem aos seus desejos.
Mas o Deus santo das Escrituras não é buscado naturalmente pelo coração caído.
Por isso a salvação não começa na decisão do homem.
A salvação começa na iniciativa de Deus.
O próprio Jesus afirma isso de maneira direta:
"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer."
(João 6:44)
Observe cuidadosamente a linguagem usada por Cristo.
Ele não diz que o homem não quer vir.
Ele diz que o homem não pode vir.
Ou seja, existe uma incapacidade espiritual real.
Por isso a Escritura ensina que Deus precisa agir primeiro.
Deus chama.
Deus regenera.
Deus concede fé.
E Deus salva.
É exatamente por isso que a Bíblia fala sobre eleição.
Deus escolhe salvar pecadores que jamais o escolheriam por si mesmos.
"E assim, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça."
(Romanos 11:5)
Nesse ponto, muitos levantam uma objeção.
Isso não tornaria Deus injusto?
O próprio apóstolo Paulo antecipa exatamente essa pergunta.
"Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!"
(Romanos 9:14)
Paulo responde mostrando que a salvação não depende da vontade humana.
Ela depende da misericórdia de Deus.
"Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão."
(Romanos 9:15)
E então Paulo conclui:
"Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia."
(Romanos 9:16)
Isso não torna Deus injusto.
Pelo contrário.
Se Deus aplicasse apenas justiça, todos seriam condenados, porque todos pecaram.
Quando Deus condena pecadores, Ele está exercendo justiça.
Quando Deus salva pecadores, Ele está exercendo misericórdia.
Ninguém recebe injustiça de Deus.
Alguns recebem justiça.
Outros recebem misericórdia.
A diferença não está na bondade do homem.
A diferença está na misericórdia de Deus.
Por isso a salvação pertence inteiramente ao Senhor.
Ela não nasce da vontade humana.
Ela não nasce da capacidade humana.
Ela nasce da misericórdia soberana de Deus.
Isso nos leva de volta ao ponto central de toda a história da redenção.
A criação, a queda e a redenção existem para revelar plenamente quem Deus é.
Na condenação dos ímpios vemos a justiça de Deus.
Na salvação dos eleitos vemos a graça de Deus.
E na cruz vemos a perfeita harmonia entre justiça e graça.
É por isso que a queda não foi um acidente.
E é por isso que a cruz não foi um plano B.
Ela sempre esteve no centro do plano eterno de Deus.
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!"
(Romanos 11:36)
Tudo começa em Deus.
Tudo acontece por meio de Deus.
E tudo termina na glória de Deus.
Chegamos agora ao centro de toda a história da redenção.
A cruz de Cristo.
Tudo o que vimos até aqui conduz inevitavelmente a esse ponto.
A criação, a queda, a responsabilidade humana e a soberania de Deus encontram sua plena revelação na obra de Cristo.
Porque na cruz acontece algo absolutamente único.
Ali Deus revela ao mesmo tempo sua justiça perfeita e sua graça salvadora.
O pecado não poderia simplesmente ser ignorado.
Deus é santo.
Deus é justo.
Deus não pode tratar o pecado como algo sem importância.
A própria Escritura declara:
"O Senhor é justo em todos os seus caminhos e benigno em todas as suas obras."
(Salmos 145:17)
Isso significa que, diante do pecado, a justiça de Deus exige punição.
"Porque o salário do pecado é a morte."
(Romanos 6:23)
Se Deus simplesmente perdoasse o pecado sem punição, Ele deixaria de ser perfeitamente justo.
Por isso a cruz não é apenas um símbolo de amor.
A cruz é o lugar onde a justiça de Deus é plenamente satisfeita.
Na cruz acontece aquilo que a teologia chama de substituição penal.
Cristo toma sobre si a culpa do pecado do seu povo e recebe em seu lugar a punição que eles mereciam.
"Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados."
(Isaías 53:4-5)
"Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça."
(1 Pedro 2:24)
Na cruz, Cristo não morreu apenas como um exemplo de amor.
Ele morreu como substituto.
Ele recebeu a punição que os pecadores mereciam.
Paulo descreve isso de forma direta:
"Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus."
(2 Coríntios 5:21)
Mas a obra de Cristo não se resume apenas à sua morte.
Ela inclui também sua vida de perfeita obediência.
Desde o início da história humana, o problema não foi apenas o pecado cometido.
Foi também a ausência de justiça perfeita diante de Deus.
Adão falhou no Éden.
Cristo venceu onde Adão caiu.
Paulo explica isso claramente:
"Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos."
(Romanos 5:19)
Cristo viveu a vida de perfeita obediência que nós jamais conseguiríamos viver.
Ele cumpriu perfeitamente toda a vontade do Pai.
Essa justiça perfeita é então imputada àqueles que pertencem a Ele.
Ou seja, Deus não apenas remove o pecado do pecador.
Ele também atribui ao pecador a justiça de Cristo.
Por isso a salvação não depende da nossa justiça.
Ela depende da justiça perfeita de Cristo.
Aqui surge outra objeção comum.
Alguns pensam que, mesmo depois de serem salvos, tudo ainda depende da capacidade humana de permanecer fiel.
Mas a Escritura ensina algo diferente.
A salvação é obra de Deus do começo ao fim.
Paulo descreve essa obra completa de Deus:
"Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou."
(Romanos 8:29-30)
Observe a sequência apresentada pelo apóstolo.
Deus predestina.
Deus chama.
Deus justifica.
Deus glorifica.
Toda a obra da salvação pertence a Deus.
Por isso ela não pode falhar.
É exatamente por isso que Paulo pergunta:
"Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós."
(Romanos 8:31-34)
A segurança da salvação não está na força do homem.
Ela está na obra perfeita de Deus.
Cristo morreu.
Cristo ressuscitou.
Cristo intercede.
Por isso nada pode frustrar o plano de Deus.
Nada pode anular a obra de Cristo.
Nada pode separar o povo de Deus do amor que lhes foi dado em Cristo.
Paulo conclui essa visão da história da redenção com uma doxologia de adoração:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?
Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém."
(Romanos 11:33-36)
Essa é a conclusão inevitável de toda a história da redenção.
A criação existe para revelar a glória de Deus.
A queda não foi um acidente.
A cruz não foi um plano improvisado.
E a salvação, do começo ao fim, pertence ao Senhor.
Se toda a história da criação, da queda e da redenção revela quem Deus é, então a única resposta possível não é orgulho intelectual, mas adoração.
Porque, diante de tudo o que vimos nas Escrituras, uma verdade se torna impossível de negar:
Deus é perfeitamente santo.
Deus é perfeitamente justo.
Deus é infinitamente misericordioso.
E Deus salva pecadores para a glória do seu próprio nome.
Nada na história aconteceu por acaso.
A criação não foi um acidente.
A queda não foi um imprevisto.
A cruz não foi um plano emergencial.
Tudo faz parte do decreto eterno daquele que governa todas as coisas.
Dele procede a criação.
Por meio dele acontece a redenção.
E para ele converge toda a história.
Por isso, a única resposta apropriada é a mesma do apóstolo Paulo:
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém."
(Romanos 11:36)
SOLI DEO GLORIA.
AUTOR: Wagner Costa