Estudos Sistemáticos
SALVAÇÃO E REDENÇÃO
SALVAÇÃO E REDENÇÃO
“Estas palavras, que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.”
(Deuteronômio 6:6-9)
Quando lemos o Antigo Testamento, uma dúvida naturalmente aparece: o que continua sendo aplicado à igreja, o que foi cumprido em Cristo e o que não deve mais ser praticado da mesma maneira? Encontramos mandamentos que continuam revelando a santidade de Deus, mas também encontramos sacrifícios, sacerdócio, circuncisão, festas, alimentos, purificações e outras ordenanças que não praticamos hoje como Israel praticava. Então, como saber o que fazer?
O caminho não pode ser escolher aquilo que parece conveniente. Também não podemos simplesmente dizer que, porque estamos no Novo Testamento, o Antigo Testamento deixou de ter importância. Precisamos deixar a própria Bíblia interpretar a própria Bíblia. Para isso, observamos o contexto imediato, o contexto do livro, o contexto do restante das Escrituras e, especialmente, aquilo que o Novo Testamento revela sobre o cumprimento das promessas, figuras e ordenanças em Cristo.
Esse princípio nos protege de dois erros opostos. De um lado, podemos transportar para a igreja aquilo que pertencia especificamente à administração mosaica. Do outro, podemos descartar mandamentos e princípios que continuam revelando a vontade moral de Deus. A solução não está em escolher entre “tudo” ou “nada”. A solução está em compreender cada elemento à luz da aliança, do contexto e do cumprimento em Cristo.
Antes de aplicar qualquer mandamento, precisamos aprender a interpretá-lo. A Bíblia não pode ser lida como uma coleção de frases isoladas, escolhidas conforme aquilo que queremos provar. Cada passagem precisa ser entendida em seu contexto imediato, no argumento do livro e, depois, à luz do restante das Escrituras. A Bíblia não contradiz a própria Bíblia. Quando uma interpretação produz contradição com um texto claro, o problema está na nossa interpretação, não na Escritura.
Por isso, não podemos pegar um mandamento do Antigo Testamento e aplicá-lo automaticamente à igreja. Precisamos perguntar para quem foi dado, em qual contexto, qual era seu propósito, se era um princípio moral, um sinal da aliança, uma cerimônia ou uma sombra de Cristo e, principalmente, como o restante da Escritura interpreta esse mandamento.
O próprio Cristo nos ensinou a fazer isso. No caminho de Emaús, começando por Moisés e passando pelos Profetas, ele mostrou aos discípulos aquilo que as Escrituras diziam a seu respeito.
“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.”
(Lucas 24:27)
Jesus não ensinou os discípulos a abandonar Moisés para compreender o evangelho. Ele ensinou a ler Moisés corretamente, enxergando Cristo. O próprio Senhor já havia declarado:
“Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.”
(João 5:46)
Portanto, quando lemos Moisés, os Profetas, os Salmos, os sacrifícios, o sacerdócio, as festas e as promessas, precisamos enxergar como tudo se relaciona com Cristo. A Bíblia possui uma unidade, e Cristo está no centro dessa unidade.
Precisamos guardar uma distinção fundamental: Cristo não altera a Lei de Deus para torná-la adequada à nova aliança. Cristo cumpre aquilo que a Lei exigia e aquilo para o qual ela apontava. A Lei continua sendo santa, justa e boa. O que muda é a administração da aliança e a relação do povo de Deus com aquilo que anteriormente funcionava como sombra, sinal e figura.
“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.”
(Mateus 5:17)
Cristo não veio corrigir uma Lei defeituosa. A Lei não precisava ser melhorada. Ela já era perfeita. Cristo veio cumprir perfeitamente aquilo que Deus havia estabelecido.
“Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.”
(Romanos 7:12)
Isso é fundamental para toda a interpretação que faremos. Quando Cristo cumpre a Lei, ele não diminui sua exigência. Pelo contrário, revela sua profundidade e mostra que a exigência de Deus vai muito além de uma conformidade externa.
O adultério não é apenas o ato físico, a cobiça também alcança o coração. O homicídio não é apenas tirar uma vida, a ira injusta revela a raiz do pecado. Amar a Deus não é apenas declarar que o amamos, é amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de toda a força.
Cristo não reduz a Lei. Cristo a cumpre perfeitamente.
Se Cristo não veio corrigir a Lei, precisamos entender por quê. A resposta está no próprio caráter de Deus. Deus não muda. Sua santidade não muda, sua justiça não muda e seu padrão moral não muda.
“Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”
(Malaquias 3:6)
Cristo não veio modificar o padrão de justiça de Deus. Ele veio satisfazê-lo perfeitamente. Deus não diminuiu sua exigência para nos receber. Ele providenciou em Cristo a justiça perfeita que sua Lei exige.
“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.”
(Hebreus 13:8)
Isso também explica a segurança da nossa salvação. Nossa esperança não está em uma mudança futura no padrão de Deus, nem na capacidade de manter uma obediência perfeita. Está naquele que já cumpriu perfeitamente a justiça de Deus.
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”
(Hebreus 10:14)
Cristo não precisará melhorar sua obra amanhã. Sua obra é perfeita hoje, e continuará perfeita eternamente. Deus permanece santo, a Lei permanece perfeita e Cristo permanece suficiente.
Antes de decidir o que fazemos com cada mandamento, precisamos estabelecer uma verdade: a Lei não tem defeito. Ela revela perfeitamente a justiça, a santidade e a vontade de Deus.
“Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.”
(Romanos 7:12)
O problema não está na Lei. O problema está em nós. A Lei exige perfeita conformidade com a justiça de Deus, mas somos pecadores e, por causa da corrupção do pecado, não conseguimos apresentar diante de Deus a perfeição que sua Lei exige.
“Porquanto, o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho.”
(Romanos 8:3)
Paulo não está dizendo que havia alguma deficiência na Lei. Está mostrando que a Lei não poderia produzir justiça em pecadores porque o homem pecador é incapaz de cumpri-la perfeitamente.
A régua não tem problema porque alguém não alcança sua medida. A régua continua perfeita. O problema está naquele que não alcança a medida. Assim também é a Lei. Ela revela perfeitamente o padrão de Deus e, ao mesmo tempo, revela nossa incapacidade.
É justamente aqui que entendemos por que Cristo precisava vir. Ele não veio simplesmente para nos ensinar a obedecer melhor. Ele veio cumprir aquilo que nós jamais conseguiríamos cumprir perfeitamente.
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”
(Romanos 5:19)
Nós temos uma história marcada pela desobediência, enquanto Cristo viveu em perfeita obediência. Nós pecamos contra a Lei, Cristo cumpriu a Lei. Nós não conseguimos apresentar uma vida perfeita diante de Deus, Cristo apresentou a vida perfeita que era necessária.
E ele não apenas viveu essa vida perfeita. Na cruz, suportou a penalidade que o pecado exigia, tomando sobre si a culpa daqueles que veio salvar.
“Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”
(2 Coríntios 5:21)
Por isso, nossa esperança não está em finalmente atingir o padrão da Lei. Nossa esperança está naquele que atingiu o padrão perfeitamente em nosso lugar.
Agora conseguimos voltar à pergunta inicial. Quando encontramos um mandamento no Antigo Testamento, não precisamos decidir pela preferência pessoal se ele continua ou não. Primeiro observamos para quem foi dado, dentro de qual aliança foi estabelecido, qual era seu propósito e como o próprio texto o apresenta. Depois observamos como o restante do Antigo Testamento desenvolve aquele assunto e, finalmente, como o Novo Testamento apresenta sua continuidade ou seu cumprimento em Cristo.
Isso é importante porque nem todos os mandamentos possuem exatamente a mesma função na história da redenção. Existem ordenanças que regulavam aspectos específicos da vida nacional de Israel, outras relacionadas ao culto e aos sinais da antiga aliança e outras que expressam princípios morais que atravessam toda a revelação bíblica. Não podemos colocar tudo no mesmo pacote.
Veja os sacrifícios. Deus realmente os ordenou. Eles não eram um erro. Mas o Novo Testamento mostra que apontavam para algo que seria realizado definitivamente em Cristo.
“Porque é impossível que sangue de touros e de bodes remova pecados.”
(Hebreus 10:4)
E então a Escritura mostra a realidade:
“E, assim, por causa dessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.”
(Hebreus 10:10)
Portanto, não oferecemos mais animais porque aquilo para o qual eles apontavam foi cumprido por Cristo. A sombra não foi desprezada. A sombra chegou à sua realidade.
A circuncisão ajuda a entender esse princípio. Deus realmente estabeleceu a circuncisão como sinal da aliança, mas o próprio Antigo Testamento já mostrava que o sinal físico apontava para uma realidade espiritual mais profunda.
“Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.”
(Deuteronômio 10:16)
E Deus promete realizar essa obra:
“O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.”
(Deuteronômio 30:6)
Perceba quem realiza a obra. É Deus. A promessa não é simplesmente que Deus dará ao homem uma técnica para mudar seu próprio coração. Deus promete fazer no coração aquilo que o homem não pode fazer por si mesmo.
Ezequiel desenvolve a mesma promessa:
“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.”
(Ezequiel 36:26)
Quando chegamos a João 3, Jesus fala com Nicodemos sobre a necessidade de nascer de novo. Não estamos diante de um assunto desconectado do Antigo Testamento. A promessa de um coração transformado encontra seu desenvolvimento na obra regeneradora do Espírito.
“Importa-vos nascer de novo.”
(João 3:7)
A circuncisão, portanto, apontava para uma realidade muito maior: Deus precisa transformar o coração do pecador.
Isso também nos ajuda a entender Deuteronômio 6:6-9. Deus ordena que suas palavras estejam no coração, que sejam ensinadas aos filhos e que façam parte da vida cotidiana.
“Estas palavras, que, hoje, te ordeno estarão no teu coração.”
(Deuteronômio 6:6)
O texto mostra essa Palavra sendo ensinada aos filhos, conversada em casa, lembrada no caminho, ao deitar e ao levantar. Portanto, quando chegamos ao Novo Testamento, não abandonamos esse princípio. A Palavra continua governando a vida do povo de Deus.
A diferença é que agora fazemos isso dentro da realidade da nova aliança e à luz de Cristo. A Palavra continua, Cristo é o centro da Palavra e o Espírito escreve essa realidade no coração.
Aqui precisamos evitar outro extremo. Cristo cumpriu a Lei, mas isso não significa que os preceitos morais revelados nos Dez Mandamentos perderam todo o valor para nós.
Paulo pergunta:
“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.”
(Romanos 3:31)
A Lei continua revelando o caráter santo de Deus, mostrando o pecado e apresentando o padrão moral que Deus requer. O que mudou não foi a santidade da Lei. O que mudou foi nossa relação com ela quando estamos em Cristo.
O cristão não olha para a Lei dizendo: “Vou usar minha obediência para comprar minha justificação.” Ele olha para a Lei e reconhece: “Este é o padrão santo de Deus, e eu preciso da graça porque não o cumpro perfeitamente.”
Obedecer à Lei e ser justificado pela Lei são coisas completamente diferentes. Podemos observar um mandamento sem dizer que o cumprimos perfeitamente. Observar significa obedecer, guardar e praticar aquilo que Deus ordenou. Cumprir, quando falamos da exigência absoluta da Lei, significa satisfazê-la integralmente, sem qualquer transgressão. Nesse sentido, somente Cristo cumpre.
Os mandamentos podem ser apresentados separadamente, mas a Lei não funciona separadamente. Eles pertencem à mesma Lei, procedem do mesmo Deus e revelam a mesma santidade. Por isso, não podemos tratar os mandamentos como compartimentos independentes, como se a obediência a um pudesse compensar a transgressão de outro.
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.”
(Tiago 2:10)
Tiago não está dizendo que quem quebra um mandamento praticou literalmente todos os pecados. O ponto é que uma única transgressão já torna o homem transgressor da Lei. Quem viola um mandamento não pode apresentar os outros como compensação, porque o Legislador é um só e sua Lei possui unidade.
Se alguém honra os pais, mas alimenta pensamentos impuros, transgride o sétimo mandamento. Se não adultera, mas vive dominado pela cobiça, transgride o décimo. Se observa vários mandamentos, mas deixa de amar a Deus de todo o coração, também está em falta.
Os mandamentos são distintos, mas trabalham em unidade e exigem conformidade perfeita.
É por isso que a Lei não funciona como um sistema de pontuação espiritual. Não existe quantidade de boas obras capaz de compensar uma transgressão.
“Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.”
(Gálatas 3:10)
A expressão “todas as coisas” fecha a porta para a justiça própria. Quem busca justificação pela Lei assume a exigência de cumpri-la perfeitamente em sua totalidade. Obediência parcial não é cumprimento perfeito.
É justamente por isso que nossa obediência nunca pode ser apresentada como fundamento da salvação. Podemos obedecer, crescer em santidade e lutar contra o pecado, mas continuamos imperfeitos. A Lei nos mostra o padrão de Deus; Cristo é aquele que cumpriu esse padrão perfeitamente em nosso lugar.
Veja o mandamento:
“Não adulterarás.”
(Êxodo 20:14)
O preceito é santo. O adultério é pecado. O cristão deve rejeitar o adultério e buscar pureza. Mas Jesus mostra que a exigência da Lei não fica apenas no comportamento exterior:
“Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no coração.”
(Mateus 5:28)
O pecado não começa somente quando alguém pratica fisicamente o adultério. Ele pode estar presente no coração, nos desejos e nas intenções. A Lei revela que o problema também está dentro de nós.
Quando o cristão reconhece esse pecado e luta contra ele, está obedecendo pela graça de Deus. Porém, não pode dizer que cumpriu perfeitamente o mandamento. Obediência real não é o mesmo que cumprimento perfeito.
Se alguém pretende usar sua própria obediência à Lei como fundamento de sua aceitação diante de Deus, precisa cumprir a Lei inteira perfeitamente.
“Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.”
(Gálatas 3:10)
A palavra é séria: “todas”.
Não existe porcentagem mínima de obediência que transforme um pecador em justo diante de Deus. Noventa por cento não resolve. Noventa e nove por cento também não. Perfeição é perfeição.
Por isso, todos nós estamos reprovados se nossa própria vida for colocada como fundamento diante da Lei.
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.”
(Romanos 3:23)
A Lei não pode aceitar uma obediência incompleta como se fosse completa. Se nossa justiça depender daquilo que nós fizemos, estamos condenados.
O maior mandamento mostra que a Lei não trata apenas de comportamentos externos, mas exige uma disposição perfeita do coração:
“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”
(Deuteronômio 6:5)
Quando praticamos um pecado egoísta, por exemplo, não estamos apenas quebrando uma regra específica. Naquele momento, colocamos nossa própria vontade acima da vontade de Deus e do bem do próximo. Se Deus deve ser amado acima de todas as coisas e o próximo como a nós mesmos, o pecado revela justamente o contrário: amamos a nós mesmos de maneira desordenada.
Por isso, quando pecamos, não relativizamos o pecado. Reconhecemos, nos arrependemos, pedimos perdão e buscamos andar novamente em obediência. Mas fazemos isso conscientes de que aquela transgressão demonstra que nossa obediência não é perfeita e que não podemos apresentar nossa vida como cumprimento da Lei.
Isso não significa que a graça diminua a gravidade do pecado. Significa justamente o contrário: a graça nos faz enxergar o pecado com mais clareza e nos leva a correr para Cristo.
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”
(Romanos 5:19)
Quando percebemos nossa falha, não tentamos compensá-la com uma nova obra. Corremos para Cristo. O arrependimento não compra novamente nossa aceitação diante de Deus. É uma resposta real produzida pela graça, pela qual reconhecemos nosso pecado e nos voltamos para aquele que já cumpriu perfeitamente a justiça que nós jamais conseguiríamos cumprir.
Nós nos arrependemos com tristeza pelo pecado e, ao mesmo tempo, com profunda gratidão por Cristo.
O quarto mandamento também precisa ser entendido à luz de Cristo. O sábado foi estabelecido por Deus e fazia parte da antiga aliança, mas apontava para uma realidade maior: o descanso que encontramos em Cristo.
“Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.”
(Hebreus 4:10)
Entre cristãos reformados existem duas maneiras principais de entender sua aplicação depois de Cristo. Ambas reconhecem que o quarto mandamento contém um aspecto que apontava para Cristo e um princípio moral que continua orientando o povo de Deus. A diferença está em como esse princípio deve ser aplicado depois do cumprimento da antiga aliança.
Uma entende que o princípio de separar um dia em sete para o Senhor permanece, e que, desde os tempos apostólicos, esse princípio é aplicado ao domingo, o dia da ressurreição de Cristo e da reunião da igreja.
“E, no primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...”
(Atos 20:7)
Outra entende que o sábado, como sinal da antiga aliança, encontrou em Cristo o cumprimento de seu aspecto cerimonial. Quanto ao princípio moral, ele permanece, levando o cristão a dedicar-se ao Senhor, ao culto, à comunhão e ao descanso, mas sem entender que a obrigação de guardar um dia específico tenha sido transferida para o domingo.
“Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.”
(Hebreus 4:9)
A diferença entre as duas posições está, portanto, na aplicação do quarto mandamento, não na suficiência de Cristo. Uma entende que o princípio moral inclui a separação de um dia específico, outra entende que esse princípio permanece sem essa obrigação específica. Ambas reconhecem a importância do culto, da comunhão, do descanso e de uma vida dedicada ao Senhor.
E nenhuma das duas pode transformar a observância de um dia em fundamento da salvação. Paulo deixa isso claro:
“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”
(Colossenses 2:16-17)
Portanto, podemos ter uma diferença legítima sobre a aplicação do quarto mandamento sem criar uma diferença sobre o evangelho. Deus não mudou, Cristo não corrigiu uma Lei defeituosa e nossa justiça não depende da observância de um dia.
Se alguém entende que o domingo deve ser separado como Dia do Senhor, deve fazê-lo para o Senhor. Se alguém entende que o sábado encontrou seu cumprimento em Cristo, continua devendo dedicar-se ao Senhor, ao culto, à comunhão e à obediência. Nenhum dos dois transforma sua observância em mérito diante de Deus.
Aqui precisamos reforçar uma distinção fundamental que vale para toda a Lei: observar não é cumprir. Observar significa obedecer e praticar um mandamento de maneira real. Cumprir, em seu sentido pleno, significa satisfazer perfeitamente tudo aquilo que Deus exige, sem qualquer pecado ou transgressão. Somente Cristo cumpriu assim.
Por isso, mesmo quando observamos o quarto mandamento, nossa obediência continua imperfeita. Nós observamos pela graça; Cristo cumpriu perfeitamente.
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”
(Hebreus 10:14)
Cristo é nosso verdadeiro descanso, nossa justiça e nossa única esperança diante de Deus.
Precisamos fazer uma distinção clara. O problema não está em guardar o sábado, mas em colocá-lo ao lado de Cristo como requisito para a salvação. A questão se torna herética quando a observância deixa de ser fruto da fé e passa a ser condição para a justificação, marca distintiva da verdadeira igreja ou requisito para pertencer ao povo de Deus.
Esse princípio aparece claramente na carta aos Gálatas. Os falsos mestres não estavam necessariamente negando Cristo. Eles estavam acrescentando uma exigência da Lei como condição para a plena aceitação diante de Deus. O exemplo mais evidente era a circuncisão:
“Se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.”
(Gálatas 5:2)
A circuncisão havia sido ordenada pelo próprio Deus. Portanto, o problema não era a prática em si, mas transformá-la em requisito para a justificação. Era Cristo + circuncisão. E, quando ela recebeu esse lugar, Paulo declarou que Cristo de nada aproveitaria.
A mesma lógica se aplica ao sábado. O problema não é a observância, mas transformá-la em requisito para a salvação. Se alguém afirma que Cristo morreu pelos nossos pecados, mas que também precisamos guardar o sábado para sermos verdadeiramente salvos, a suficiência da cruz foi negada.
Paulo explica a gravidade disso:
“De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.”
(Gálatas 5:4)
Não é necessário negar Cristo para perverter o evangelho. Basta acrescentar uma obra humana à justiça de Cristo como condição para nossa justificação. A circuncisão não precisava substituir Cristo para corromper o evangelho. Bastava ser colocada ao lado dele. Da mesma forma, o sábado não precisa substituir Cristo. Basta ser transformado em requisito para a salvação.
Por isso:
Cristo + circuncisão = outro evangelho.
Cristo + sábado, como requisito para a justificação = o mesmo princípio condenado por Paulo em Gálatas.
A questão não é dizer que sábado e circuncisão são a mesma coisa. A questão é que acrescentar qualquer obra humana à obra de Cristo como fundamento da justificação reproduz o mesmo erro.
Paulo mostra por que isso atinge diretamente a cruz:
“Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.”
(Gálatas 2:21)
Se nossa justiça precisa ser completada por uma observância, então Cristo não é suficiente. Mas a Escritura afirma:
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”
(Hebreus 10:14)
Portanto, guardar o sábado como fruto da fé é diferente de guardar o sábado como requisito da fé. Um cristão pode observá-lo por convicção e para a glória de Deus, mas jamais pode confiar nessa observância para completar sua justiça diante de Deus.
Nós observamos. Cristo cumpre.
É importante não confundir isso com a posição apresentada na seção anterior. Ali tratamos de cristãos que entendem que o quarto mandamento contém um princípio moral permanente e, por isso, separam um dia para o Senhor, podendo aplicar esse princípio ao domingo. Essa observância é fruto da fé e da obediência, não fundamento da justificação.
Aqui tratamos de outra coisa: quando a guarda do sábado é elevada a marca distintiva da verdadeira igreja ou condição necessária para a salvação. No primeiro caso, existe uma divergência legítima sobre a aplicação do quarto mandamento. No segundo, temos Cristo + sábado como fundamento da aceitação diante de Deus, o mesmo princípio condenado por Paulo quando os gálatas acrescentaram a circuncisão à fé em Cristo.
Uma coisa é observar por causa de Cristo. Outra é precisar observar para ser salvo.
A pergunta decisiva não é simplesmente “você guarda o sábado?”, mas:
“Cristo é suficiente para a sua justificação?”
Se é, toda a glória pertence a Cristo.
Se é necessário acrescentar Cristo + sábado para que alguém seja verdadeiramente salvo, então a cruz deixou de ser suficiente.
É nesse ponto que uma divergência sobre o quarto mandamento passa a atingir o próprio evangelho.
Dizer que não somos justificados pelas obras não significa dizer que as obras são desnecessárias. A Bíblia não ensina antinomismo. A graça que justifica também santifica.
“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”
(Efésios 2:10)
Na justificação, somente a justiça perfeita de Cristo é nosso fundamento. Na santificação, Deus realmente transforma seu povo e produz nele uma obediência real, embora ainda imperfeita.
Nossas obras não são a raiz da justificação, mas são fruto da graça que nos justificou. Não obedecemos para sermos aceitos por Deus. Obedecemos porque fomos aceitos em Cristo.
Se tudo depende da graça de Deus, alguém poderia perguntar: então o homem não precisa fazer nada? A resposta bíblica é clara: precisamos crer, arrepender-nos, obedecer, lutar contra o pecado e perseverar. Essas respostas são reais. O homem não é um robô.
Mas a Bíblia nunca transforma essas respostas em causas autônomas da salvação. O pecador natural está morto em seus delitos e pecados e precisa ser vivificado por Deus.
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”
(Efésios 2:1)
Deus não espera que o morto espiritual produza vida para então regenerá-lo. Deus dá vida, e o homem, agora vivificado, responde.
A fé é verdadeira. O arrependimento é verdadeiro. A obediência é verdadeira. Mas tudo isso acontece como fruto da obra soberana da graça.
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.”
(Efésios 2:8)
Paulo resume essa realidade:
“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”
(Filipenses 2:13)
A obediência cristã não nasce de uma capacidade autônoma que existe no homem e que Deus apenas ajuda. Até o querer é alcançado pela graça de Deus.
Isso não significa que o cristão obedeça contra sua vontade. Deus transforma sua vontade, e ele passa a desejar aquilo que antes rejeitava.
Assim, a resposta humana é verdadeira, mas a graça de Deus é a causa eficaz que produz essa resposta. O homem crê de verdade, mas Deus lhe dá vida. O homem se arrepende de verdade, mas Deus lhe concede arrependimento. O homem obedece de verdade, mas Deus opera nele o querer e o realizar.
Não somos robôs, mas também não somos os autores da nossa própria salvação.
Essa dependência não termina no momento em que somos convertidos. Não somos salvos pela graça e depois abandonados para sustentar nossa própria salvação. A mesma graça que nos alcança continua operando em nós até o fim.
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
(Filipenses 1:6)
Nossa perseverança é real, mas Deus nos preserva. Nossa santificação é real, mas Deus opera em nós. Nossa fé é real, mas Deus a sustenta. Nossa chegada à glória será real, mas toda a glória será de Deus.
Do novo nascimento à glorificação, dependemos absolutamente da misericórdia de Deus. Não existe um momento em que a criatura possa dizer: “Agora consigo continuar sozinho.”
A criatura permanece eternamente dependente do Criador.
Apocalipse 20 apresenta o juízo final:
“Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras.”
(Apocalipse 20:12)
As obras aparecem no juízo porque Deus não ignora aquilo que o homem fez. Elas testemunham sobre sua vida e manifestam a justiça do julgamento. Mas precisamos entender exatamente o que o texto está dizendo.
As obras registradas nos livros não são a obra salvadora. A única obra que resulta em salvação é a obra de Cristo. Portanto, quem comparece diante de Deus segundo suas próprias obras comparece diante da justiça perfeita sem possuir a perfeição exigida pela Lei.
O texto prossegue:
“E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.”
(Apocalipse 20:15)
O texto é claro. Quem não está no Livro da Vida é condenado. As obras não compram a salvação. Elas estão nos livros do juízo, mas o Livro da Vida é que distingue aqueles que pertencem a Cristo.
Então surge a pergunta: quem são aqueles que têm o nome no Livro da Vida?
A resposta não pode ser construída pela imaginação. Precisamos voltar às palavras de Cristo.
“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.”
(João 6:37)
E Jesus continua:
“E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.”
(João 6:39)
Portanto, aqueles que pertencem a Cristo são aqueles que o Pai lhe deu. Eles virão a Cristo, e Cristo não perderá nenhum deles.
“De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”
(João 6:40)
A fé é real. O homem realmente vem a Cristo. Mas, antes disso, existe a dádiva soberana do Pai. O eleito vem porque foi dado ao Filho, e o Filho garante que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perderá.
Assim, quando chegamos ao juízo final, a esperança do salvo não está no que seus livros de obras conseguem apresentar. Sua esperança está no Livro da Vida e naquele cujo sangue o comprou.
Apocalipse 20 precisa ser lido dentro do seu próprio contexto. As obras são consideradas no juízo, mas o texto não apresenta essas obras como méritos capazes de comprar a salvação.
Paulo também escreve:
“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”
(2 Coríntios 5:10)
Deus leva nossas obras a sério. Elas manifestam aquilo que somos e serão consideradas em seu juízo. Mas não podemos transformar obras em fundamento da justificação.
O fundamento da salvação é Cristo. O Livro da Vida pertence aos que estão nele. E aqueles que o Pai deu ao Filho não serão perdidos.
Isso mostra a profundidade da cruz. Se Cristo não tivesse levado sobre si os pecados daqueles que veio salvar, não haveria salvação. Se tivesse vivido apenas uma vida parcialmente perfeita, não haveria salvação. Se sua obra precisasse ser completada pela nossa justiça, não haveria salvação.
Cristo precisou viver uma vida perfeitamente obediente porque a Lei exige perfeição. Depois, tomou sobre si a culpa daqueles que veio salvar.
“Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”
(2 Coríntios 5:21)
É por isso que a suficiência de Cristo não pode ser reduzida. Ele não fez uma parte e deixou outra para nós completarmos.
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”
(Hebreus 10:14)
Uma única oferta, para sempre. Não falta uma parte que nossa obediência precise acrescentar. Cristo cumpriu a Lei perfeitamente, satisfez a justiça de Deus e realizou plenamente a obra necessária para a salvação.
Não começamos pela graça e terminamos pelo mérito. Não somos regenerados pela graça e depois sustentados pela nossa própria capacidade. Não recebemos Cristo pela graça e depois completamos a obra com nossa obediência.
Cristo é suficiente do começo ao fim.
Ele é nossa justiça, nosso descanso, nossa santificação e nossa redenção.
“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.”
(1 Coríntios 1:30)
É por isso que podemos olhar para a Lei sem medo e sem arrogância. Sem medo, porque não precisamos usar nossa própria perfeição como fundamento da salvação. Sem arrogância, porque sabemos que nunca teríamos conseguido cumprir aquilo que Deus exige.
A Lei continua sendo santa. O pecado continua sendo pecado. A obediência continua sendo necessária. Mas somente Cristo cumpriu perfeitamente.
Quando encontramos um mandamento, precisamos olhar seu contexto imediato. Precisamos entender quem recebeu aquele mandamento, por que Deus o estabeleceu e qual era sua função. Depois precisamos observar como o restante das Escrituras desenvolve aquele princípio e, finalmente, como o Novo Testamento apresenta sua continuidade, distinção ou cumprimento em Cristo.
Assim, não fazemos uma seleção arbitrária. Não dizemos: “Esse mandamento eu gosto, então continuo. Esse outro eu não gosto, então acabou.” Também não dizemos: “Tudo precisa continuar exatamente como estava em Israel.”
Deixamos a Escritura estabelecer os limites da nossa interpretação.
Os sacrifícios foram cumpridos em Cristo. O sacerdócio levítico apontava para Cristo. Os sinais da antiga aliança encontram sua realidade em Cristo. O sábado encontra seu descanso definitivo em Cristo. Os preceitos morais continuam revelando a santidade de Deus e orientando nossa vida.
E, em tudo isso, a Lei nos mostra nossa necessidade de Cristo.
Quando olhamos para os sacrifícios, vemos Cristo. Quando olhamos para o sacerdócio, vemos Cristo. Quando olhamos para a circuncisão, vemos a necessidade de um coração transformado por Deus. Quando olhamos para o sábado, vemos o verdadeiro descanso em Cristo. Quando olhamos para os mandamentos morais, vemos a santidade de Deus, nossa responsabilidade e também nossa incapacidade.
Quanto mais claramente enxergamos a perfeição da Lei, mais claramente enxergamos a perfeição de Cristo.
“De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.”
(Gálatas 3:24)
Essa é a direção correta. A Lei não nos conduz à confiança em nós mesmos. A Lei nos conduz à necessidade de Cristo.
Por isso, o Antigo Testamento não é um livro que precisamos abandonar depois que chegamos ao Novo. É Escritura inspirada, e sua mensagem encontra sua unidade em Cristo.
“Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.”
(Romanos 10:4)
Então, do Antigo Testamento extraímos os preceitos que a própria Escritura confirma. Das cerimônias, reconhecemos aquilo que foi cumprido em Cristo. Dos sinais, buscamos a realidade para a qual apontavam. Dos preceitos morais, reconhecemos a santidade de Deus e buscamos viver em obediência.
Mas nunca confundimos obediência com perfeição. Nós obedecemos, mas ainda pecamos. Nós buscamos santidade, mas ainda precisamos de misericórdia. Nós lutamos contra o pecado, mas ainda dependemos da graça.
Nossa fé é real, mas não é mérito. Nosso arrependimento é real, mas foi concedido por Deus. Nossa obediência é real, mas Deus opera em nós. Nossa perseverança é real, mas Deus nos preserva.
Essa dependência não termina nesta vida. Do novo nascimento à glorificação, dependemos absolutamente da misericórdia de Deus. A salvação não começa com Deus e termina conosco. Ela começa em Deus, é sustentada por Deus e termina para a glória de Deus.
“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”
(Filipenses 2:13)
Quando estivermos diante de Deus, nossa esperança não estará naquilo que conseguimos fazer, mas naquilo que Cristo fez. Não apresentaremos uma justiça produzida por nós, porque nossa justiça é Cristo. Não apresentaremos uma obediência perfeita, porque somente Cristo cumpriu perfeitamente. Não apresentaremos méritos próprios, porque toda a nossa salvação é fruto da graça soberana de Deus.
E quando os livros forem abertos, não será a quantidade das nossas obras que nos salvará. Sem Cristo, as obras só podem testemunhar nossa culpa diante da Lei perfeita. O Livro da Vida é que revela aqueles que pertencem ao Cordeiro. E aqueles que o Pai deu ao Filho não serão perdidos.
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.”
(Romanos 11:36)
Do novo nascimento à glorificação, tudo é graça.
E, por isso, a grande resposta não é: “Eu cumpri.”
Autor: Wagner Costa